quarta-feira
O que todo mundo quer
Todo mundo quer ser amado. Todo mundo quer ser compreendido. Na mansidão dos lares, o homem comum quer ser visto. Vestido de tais roupas, ele quer ser querido. A superação do ego é a solução para esse sentimento de desamparo que lhe aflige. Querer o bem, um mundo em paz gera mais felicidade do que querer ser querido. Por que não querer bem ao outro, independentemente de um retorno? O amor livre e absolutamente desinteressado. Isso nos aproxima da felicidade.
terça-feira
A dor nos faz pensar
Sentir dor nos ajuda a lembrarmos de nós mesmos. Ousar parar um pouco no meio das atribulações do cotidiano. Esquecer da dívida não paga: sermos perfeitos. Colocar um pouco de música e dançar em meio ao vento. Todos temos angústias.
Precisamos diminuir o passo e lembrarmos de respirar. Respirar é viver o presente. Cada um tem uma forma de se ausentar de si mesmo. Por que fazemos isso conosco? Ausentarmos de nós mesmos. Inventamos tantas fugas que nos esquecemos do básico: a lei do amor. Amar ao próximo como a si mesmo. Amar a si mesmo é difícil por quê? É um exercício, que deve ser diário e começa com um sorriso interior.
A gente se sente às vezes tão sozinhos na nossa dor. Mas nos encontramos por aqui e nos apoiamos nas pessoas que gostam da gente. De novo a lei do amor. Do cuidado.
segunda-feira
A criança reprimida
O mendigo
A criança de rua
O filho do pai exigente
A esposa não respeitada
A criança de rua
O filho do pai exigente
A esposa não respeitada
Ela olha o mundo sob a ótica da criança reprimida.
Lição de humildade a que está sendo exposta.
A autocrítica. Medo de errar, que também é outra característica de quem se sente inferior aos demais.
O caminho de cura é aprender a se respeitar e enxergar o mundo como um lugar que tem espaço para todos. Aprenda a se valorizar, mas saiba que tudo tem que partir do seu interior.
Claro que é muito interessante estudar, mas não é um curso, ou a aprovação daquelas pessoas que lhe fará se sentir bem. Você é que precisa se ver como uma pessoa que vale a pena. As pessoas ao seu redor vão ver aquilo que o seu interior mostrar.
Investir em si mesmo, no seu sorriso, na sua alegria, bom humor e fé.
A mulher romântica
O poeta sonhador
O pintor visionário
O filho de nobres incompreendido
O poeta sonhador
O pintor visionário
O filho de nobres incompreendido
Nobreza de caráter. Viver com disposição renovada o que a vida lhe oferece. Um dia de cada vez encarando com alegria o dia-a-dia.
domingo
Sobre o mestrado e a sensação de fracasso
Faz quatro anos que minha vida mudou radicalmente. Faz quatro anos que defendi uma péssima dissertação de mestrado, me descobri com fibromialgia e parei de escrever, ou melhor, tentar escrever algo que se aproximasse de literatura. A dor paralisa, sabemos disso todos. Mas o pior não foi a paralização pela dor, mas sim pelo sentimento de fracasso diante da defesa de uma dissertação ruim. Nunca um C me abalou tanto, ainda que na verdade eu esperasse por um D, ou até mesmo um E. Não vou perder tempo me justificando que estava em crise de fibromialgia, longe da família, logo após ter relembrado e revivido um pequeno trauma de infância. Quantas crianças não tiveram traumas? Por que será que um trauma me doeu tanto que a dor se materializou na doença da dor e no boicote da escrita? O sonho era um só: ser escritora. De repente, como um passe de mágica, só vejo a barra de espaço no teclado do computador. Repentinamente eu deixei minha essência guardada e comecei a comer desenfreadamente. Comer, dormir, chorar e jogar joguinhos de facebook. Ler e escrever se tornaram uma mentira para mim, como se eu tivesse desaprendido a realizar tais ações.
sábado
Saber parar
Ter fibromialgia é aprender a parar, aprender a dizer não, a respirar. É saber diminuir o ritmo e esperar. É aprender a lidar cada dia com uma pequena limitação. É chorar. É deitar-se esperando a dor passar. É viver um dia de cada vez. Fazer planos mais palpáveis e acreditar, ainda que um pouco mais lento, que você vai chegar lá. É aprender a gostar mais de si mesmo e cobrar-se menos e cobrar menos dos outros. E esperar um dia.
sexta-feira
Preguiça?
Uma das dificuldades que tenho é a de diferenciar quando estou com dor de quando estou com preguiça. Algumas vezes, quando estou com dor, tenho menos ânimo para executar tarefas domésticas. Vou deixando tudo para depois. E então olho para minha casa e vejo bagunça em tudo. E sinto-me, nesses momentos culpada por ser "preguiçosa". Eu tenho consciência de que não fiz tal ou qual coisa porque estava com dor, mas mesmo assim me cobro. Acho que tem a ver com a visão machista de que a mulher deve cuidar bem da própria casa. A mulher do lar. Eu trabalho, estudo, não fico em casa o tempo todo. Mas, às vezes, quando estou em casa não tenho disposição para executar simples tarefas. O difícil é deixar de se sentir culpada por ter tanta "preguiça". Às vezes me pergunto se não é preguiça de viver, como se eu vivesse arrastando. A dor nas pernas parece traduzir isso, cada passo é um novo esforço e os caminhos aparecem-me cada vez mais distantes.
quinta-feira
Quando não estou sentindo dor
Lembro-me de quando um amigo teve uma situação meio ruim no trabalho. Perguntei se ele estava se sentindo mal por aquilo. A resposta dele foi: não me sinto mal por isso, o pior mal foi ter nascido, disse em um tom irônico. Mas então ele me perguntou como eu estava me sentindo. Eu respondi, bem, e em seguida pensei e disse: hoje não estou sentindo dor. Essa resposta me levou a uma série de reflexões. Falei para ele: Quando a gente tem fibromialgia é tão fácil estar feliz, basta não estar sentindo dor. Acho isso bastante profundo. A não-dor enquanto geradora de felicidade. Quando a gente fica doente começamos a dar valor a pequenas coisas que antes sequer notávamos: levantar o braço e sentir o ar leve, caminhar tranquilo pela rua sem dor, sentindo o vento, tudo isso me deixa feliz. Se a fibromialgia é desagradável, pelo menos nos ensina a valorizar coisas, momentos e vivências que antes passavam desapercebidos.
quarta-feira
Imagem representando a Fibromialgia
Às vezes eu buscava imagens no Google para ver se alguma delas retratava a dor que eu sentia. A mais comum é uma pintura de Frida Kahlo com uma mulher cheia de pregos, já viram essa imagem? Mas acho que não traduz a dor que sinto. Às vezes sinto como e minhas pernas, meus braços desaparecessem. Eu tinha de ver isso representado por imagem, mas não sei desenhar. Contudo, conheço artistas, pessoas talentosas que sabem transformar sentimentos em imagem, como fez o André nessa imagem. Achei bonita a leveza que permaneceu, mesmo com pernas e braços desaparecendo. Creio ser essa leveza que devemos buscar, ainda que apesar da dor.
Observação: se fizerem referência à imagem não se esqueça de citar a fonte incluindo sua página
André Persechini.
Observação: se fizerem referência à imagem não se esqueça de citar a fonte incluindo sua páginaAndré Persechini.
Sobre o aumento de peso
Uma das coisas chatas decorrente do uso de alguns remédios e o fato de que alguns causam aumento de peso. Antes de começar a ter e tratar da fibromialgia eu era magra. Agora estou no limiar entre sobrepeso e obesidade I. E claro que a gente engorda não apenas por causa da medicação. No meu caso hoje percebo que cada vez que a fibromialgia me atacava eu compensava comendo muito ou me dando ao direito de ter prazeres gastronômicos. Nesse caso não há como esperar algo diferente de engordar. Mas o que me deixou chateada foi eu ter engordado mesmo fazendo dieta, ja que eu havia decidido emagrecer. O problema foi o uso do risperidona como controlador de humor. Para controlar minhas oscilações de humor e para evitar crises de fibromialgia o remédio foi ótimo. Contudo, o remédio me deixa com muito sono durante grande parte da manha e me fez engordar, mesmo com uma dieta equilibrada. Decidi parar de tomar o remédio porque e muito ruim engordar mesmo fazendo dieta, e injusto! Sem contar que não e nada produtivo perder metade da manha por causa do sono excessivo.
quinta-feira
Aceitar a doença
Uma das dificuldades da fibromialgia é quando passamos um longo periodo sem dor e de repente ela volta, assim, do nada. A primeira atitude é pensar se há algo que possa ter causado essa dor, alguma lembrança, algum incômodo silencioso. Se descoberto, tentar evitar aquela situação ou pensamento.
Mas e quando não encontramos uma causa? Quando a dor vem do nada? Nesse caso, para mim ainda isso é uma fonte de tristeza, porque exige que eu aceite o fato puro e simples de que sinto dor por causa de uma doença. Acho que, ao buscar possíveis causas para a dor às vezes estamos buscando evitar um fato: estou com fibromialgia.
Mas e quando não encontramos uma causa? Quando a dor vem do nada? Nesse caso, para mim ainda isso é uma fonte de tristeza, porque exige que eu aceite o fato puro e simples de que sinto dor por causa de uma doença. Acho que, ao buscar possíveis causas para a dor às vezes estamos buscando evitar um fato: estou com fibromialgia.
Cansaço e dor
Quinta-feira é um dia em que eu já estou mais cansada, já que tenho tentado conciliar trabalho, estudos, natação e trabalhos de casa (não todos, já que meu marido me ajuda e vai uma faxineira uma vez por semana lá em casa - eu achava, no início que era luxo, mas logo vi que era uma necessidade por causa da fibromialgia. Acho que se eu não trabalhasse até conseguiria ser uma dona de casa melhor, mas no momento não dá). Fato é que nesse momento estou sentindo dor de fibromialgia. Há várias manifestações na minha cidade, das quais eu gostaria de participar, mas, visto que estou sentindo dor nessa quinta-feira, acho que não aguentarei ficar em pé por muito tempo no sábado. Cogitei levar um banquinho, meu marido achou graça. É... só dá para eu manifestar alguma coisa em pensamento ou em palavras. Estou cansada fisicamente, creio ser essa a causa da dor. Hoje o texto está meio confuso, mas acho saudável escrever para eu não ficar só engolindo fibromialgia.
Ansiedade
Onde essa ansiedade vai me levar? O que importa sobre algo que só vai acontecer daqui a três, quatro, cinco dias? A ansiedade, quando muita, causa dor. Para quem tem fibromialgia a ansiedade e o estresse são venenos. Importante, para acalmar a ansiedade respirar fundo, meditar, fazer ioga ou qualquer atividade que te desligue do mundo por alguns momentos. Devemos buscar viver em outra velocidade, mais lenta que a velocidade do mundo contemporâneo.
Dermografismo
Após uma crise alergica surpreendente, acabo de descobrir que uma doença chamada dermografismo está comumente associada à fibromialgia. O dermografismo, a partir do ponto de vista de uma leiga - que sou - é algo como uma hipersensibilidade na pele. Experimente se arranhar com uma caneta, aquela linha ficará vermelha por muito tempo. Assim, se começa uma urticária em você, quanto mais você coça, mais vermelho fica e assim sucessivamente.
É interessante pensar que, assim como a fibromigia, o dermografismo também está associado a fatores emocionais. E, se paramos para pensar nisso, tanto a fibromialgia quanto o dermografismo impossibilitam o toque do outro em ti. O primeiro porque dói e o segundo, porque machuca. Nós, fibromiálgicos podemos pensar em o quê isso significaria sob a ótica do emocional: o toque do outro nos dói, nos machuca. Por quê?
É interessante pensar que, assim como a fibromigia, o dermografismo também está associado a fatores emocionais. E, se paramos para pensar nisso, tanto a fibromialgia quanto o dermografismo impossibilitam o toque do outro em ti. O primeiro porque dói e o segundo, porque machuca. Nós, fibromiálgicos podemos pensar em o quê isso significaria sob a ótica do emocional: o toque do outro nos dói, nos machuca. Por quê?
Psicanálise
Faz uma semana que estou com dificuldades para dormir. Isso não é casual, já que começou o horário de verão. Mas acho que meu corpo está exagerando. Eu não consigo dormir. Eu não tenho vontade de comer. Sinto-me avolitiva. Nas últimas duas semanas fiquei doente. Primeiro torci sério o pé, o que me exigiu ficar cinco dias sem nadar. Depois, explodi no trabalho e no dia seguinte acordei sem voz e com a garganta inflamanda. Três dias sem voz. Acho que eu falei mais do que eu devia naquela reunião. Acho que sou muito transparente, por isso tenho medo de ser demitida às vezes. Tenho tanto medo de tanta coisa. A empresa vai mudar de lugar físico. Fui conhecer o prédio, não tem janelas na sala onde trabalharei. Imediatamente taquicardia e sensação de angústia somada a uma respiração mais lenta. Claustrofobia. Contei para o meu chefe. Não há solução. A sala será aquela e ponto. Mas acho que se eu não conseguir lidar com essa fobia terei que mudar de emprego. Como me sinto humilhada e minimizada ao pensar nisso! Pensar em mudar de emprego porque eu tenho medo de lugares fechados?
Mas, na minha opinião, um medo não é só um medo, quando fobia. No meu caso, é mais um sintoma de um trauma. A última seção de terapia foi justamente para eu aceitar para mim mesma que sim, tive um trauma e isso influenciou notadamente a minha vida e as minhas ações. Mas, diante disso, fica a pergunta: e o que eu faço com isso? Ter consciência de um trauma não faz com que ele automaticamente desapareça. Diz minha analisata que terei que falar muito sobre isso ainda, até esgotarem as palavras. Mas eu quase paralizo ao pensar em falar. Não foi nada demais, eu penso, porque isso gerou um trauma tão forte, eu penso. Por quê? Por quê? O filme do Hitchcock me fez aceitar que tenho um trauma e ponto. O filme Marnie. Ela tinha o mesmo trauma que eu, de não querer ser tocada de forma alguma. Claro que as causas são diferentes, mas caiu a minnha ficha. Eu tenho que aceitar que vivenciei uma experiência que me traumatizou e isso reflete em minha vida até hoje. Mas encarar o passado é tão doloroso.
Mas, na minha opinião, um medo não é só um medo, quando fobia. No meu caso, é mais um sintoma de um trauma. A última seção de terapia foi justamente para eu aceitar para mim mesma que sim, tive um trauma e isso influenciou notadamente a minha vida e as minhas ações. Mas, diante disso, fica a pergunta: e o que eu faço com isso? Ter consciência de um trauma não faz com que ele automaticamente desapareça. Diz minha analisata que terei que falar muito sobre isso ainda, até esgotarem as palavras. Mas eu quase paralizo ao pensar em falar. Não foi nada demais, eu penso, porque isso gerou um trauma tão forte, eu penso. Por quê? Por quê? O filme do Hitchcock me fez aceitar que tenho um trauma e ponto. O filme Marnie. Ela tinha o mesmo trauma que eu, de não querer ser tocada de forma alguma. Claro que as causas são diferentes, mas caiu a minnha ficha. Eu tenho que aceitar que vivenciei uma experiência que me traumatizou e isso reflete em minha vida até hoje. Mas encarar o passado é tão doloroso.
Sobre o amor
Acho que no fim tudo se resume ao amor. Ao amor que a gente doa e espera receber de volta. Como dizia Heidegger, o cuidado (sorge). Viver em sociedade é necessariamente viver com o outro. Mas algumas vezes optamos por viver para o outro. O para assume, aqui, o sentido de doação. O gostar, o se preocupar, e as diversas formas que o termo cuidado, ou amar assumem. É fácil, quando gostamos, cuidarmos do outro? O problema é que algumas vezes nós nos esquecemos de cuidarmos de nós mesmos, nos abandonamos, nos matamos pouco a pouco, pedacinho por pedacinho. É muito importante cuidar do outro, mas nunca devemos nos esquecer de cuidarmos de nós mesmos. A lição do outro é que nós não devemos nos abandonarmos jamais. E às vezes decidimos nos escondermos no sorge pelo outro. Mas para bem cuidar é preciso, antes, ser cuidado.
O desamparo é o sentimento consequente do excesso de sorge por um outro que não te reconhece como alguém a ser lembrado. Mas quem colocou a impressão de necessidade da lembrança fomos nós ao criarmos expectativas e ao esperarmos algum sorge em troca. O amor tem que ser doado como um pedaço de pão. Ele será comido e deixará como vestígio no mágimo algumas migalhas. Mas não devemos procurar por elas. Ao doar sorge você não deve esperar nada em troca.
O desamparo é o sentimento consequente do excesso de sorge por um outro que não te reconhece como alguém a ser lembrado. Mas quem colocou a impressão de necessidade da lembrança fomos nós ao criarmos expectativas e ao esperarmos algum sorge em troca. O amor tem que ser doado como um pedaço de pão. Ele será comido e deixará como vestígio no mágimo algumas migalhas. Mas não devemos procurar por elas. Ao doar sorge você não deve esperar nada em troca.
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