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domingo

Eis que retornam e me levam à lição anterior

Por que eu me forço a fazer coisas que eu não estou com vontade de fazer?

Por que eu só me lembro de não me cobrar tanto quando tenho crises de dor?

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Curioso como a única razão que me leva a escrever aqui (ou quase a única) são as crises de dor ou alguma reclamação de algo relacionado à fibromialgia. Neste inicío do ano - apesar de um grande desagrado com a minha profissão devido à excessiva preocupação com lucros de minha chefe superior, a moça do financeiro da escola, que passou meus alunos que haviam tomado bomba - eu estava melhorando significativamente da dor. Em janeiro eu nadava duas vezes na semana entre 1000 e 1200 m. Média boa para quem começou nadando com esforço 200m.

Mas parece que a melhora me trouxe a piora. Parar de sentir dor fez voltar em mim a síndrome do tudo posso, tudo consigo, segundo a qual o limite é o cansaço. Me explico: preenchi minha agenda de modo impressionante e a consequência natural foram o cansaço excessivo e o estresse. Junto a eles, as dores começam a voltar até porque preencher a minha agenda com trabalhos e tarefas me fez não conseguir deixar separado um espaço para a natação.

Ontem pela primeira vez fui ao hospital por causa da dor. Horas na fila de urgência para conseguir uma maravilhosa injeção para dor. Doiam-me inclusive as falanges, as articulações, só não me doiam as unhas porque unha é parte morta do corpo.  Resultado: hora de retornar à lição outrora aprendida:

DEIXAR DE SE COBRAR TANTO.
DEIXAR DE ESPERAR TANTO.


Foto: Chris Parker 


sábado

Sobre dor e trabalho

No último mês vivi um período de melhora significativa. Lyrica,  Paroxetina com dose diminuída e o novo remédio para substituir o Paroxetina, já que pedi à médica um remédio que não me fizesse engordar, o Venlafaxina. Fiz pouco esforço físico nas férias; por questões financeiras não viajei, fiquei tranquila, saí com amigos, cerveja, tudo na normalidade. Eis que retornam as atividades do ano. Eu sou professora de ensino fundamental e médio. Quinta-feira, 6 horários direto, ao fim do expediente minhas pernas já estavam doces.
Teacher at Chalkboard, foto por cybrarian77

Hoje, sábado, já percebo como o retorno às atividades trouxe consigo um retorno à dor. Não que eu seja uma preguiçosa que sempre que precisa trabalhar sente dor. O problema é que a atividade de professor do ensino fundamental e médio exige esforço físico: escrever no quadro de giz, caminhar pela sala, subir e descer escadas a cada mudança de horário. Pode parecer batata para uma pessoa que não sofre de fibromialgia. O problema é que quando você sente dor cada detalhe vira uma tempestade. Escrever no quadro a giz exige força nos braços. Ficar em pé horas e horas exige esforço das pernas e da coluna. E a consequência deste esforço para quem sofre não apenas dor mas também fraqueza muscular é óbvia: mais dor.


quinta-feira

Fim de ano, reinício de dores.

Por que será que em um ano de 365 dias, sempre as coisas se acumulam para os últimos 30 dias? Mas nem há resposta, ou talvez os "filósofos" da auto-ajuda digam que o problema são suas escolhas, como você delimita suas prioridades porque, afinal, um bom líder sabe organizar bem suas prioridades. Pode ser. Definir prioridades ajuda. Mas não é a solução quando o trabalho não depende apenas de ti, como no caso meu, de ser professora. Fim de ano é trabalho a mais e ponto. Alunos a ponto de perder o ano, um, dois, pontos para chegar a 60 e nós, professores, temos que escolher se ele merece ou não ganhar um ponto a mais. Um aparente detalhe mas que faz tanta diferença na vida dessas pessoinhas queridas, nossos alunos.

Imagem: Todd Petrie

Consequência fibromiálgica: senso exacerbado de responsabilidade --> estresse --> tensão --> aumento das dores.

Fórmula simples, não?
Enfim, acho que de tanto sentir dor decidi fazer uma tatuagem. Por que, afinal, não vai doer mais do que estou acostumada.